Jiro Taniguchi

Biografia

Jiro Taniguchi nasceu a 14 de Agosto de 1947, em Tottori, no Japão, numa família endividada e bastante pobre. O pai era cabeleireiro e a mãe empregada de limpeza.
Terceiro de três irmãos, tinha uma saúde frágil, pelo que passou muito tempo da sua infância a desenhar e ficou profundamente marcado pelo grande incêndio de Tottori de 1952, que destruiu a casa onde a família vivia.
Jiro Taniguchi faleceu a 11 de Fevereiro de 2017, contava 69 anos.

A Obra
Leitor de mangá desde a juventude decide em 1969, tornar-se mangaká mudando-se para Tóquio, onde se tornou assistente do mangaká Kyota Ishikawa, com quem trabalhou durante cinco anos.
Publica a sua primeira obra, Kareta heya, no início da década de 1970, desenha alguns mangas eróticos e torna-se assistente de Kazuo Kamimura, um autor de renome no Japão.
Acaba por decidir trabalhar por conta própria e associa-se ao argumentista Natsuo Sekigawa, com quem publica livros de tom policial ou de aventura e, principalmente “Botchan no Jidai” (a partir de 1987) – uma panorâmica da literatura e política japonesa da época Meiji, em homenagem ao escritor Natsume Soseki.

A descoberta da banda desenhada europeia (em especial da linha clara de 
autores como Hergé ou Moebius), marcaram uma viragem na obra de Taniguchi, ainda no final da década de 1970, que se traduziria de forma mais concreta na opção de trabalhar sozinho, escrevendo e desenhando as suas próprias histórias, a partir de 1991.
Desde essa data, com poucas excepções, a obra do autor japonês assenta na sua experiência pessoal e na atenta observação dos seus semelhantes e do quotidiano, retratado através dos pequenos nadas que o compõem, o tornam a um tempo único universal e lhe conferem uma imensa credibilidade.

Nestes livros, profundamente humanos nas histórias que narram, expondo emoções e traçando retratos impressivos, espelham-se sentimentos positivos e um reconhecimento sincero às tradições culturais, apoiando-se na família e na infância como forma de redescobrir as origens e quem se é hoje. Traduz também, uma ligação muito forte e um grande respeito pela natureza e os animais. A natureza como fonte de força, de alimento e nosso sustentáculo, em simultâneo desafiadora e necessitada de auxílio para continuar a ser o habitat do ser humano.
Quanto aos animais, são companheiros e amigos, confidentes atentos e parceiros de brincadeira, conforto nos momentos difíceis e fonte de inúmeras alegrias.
O seu traço torna-se cada vez mais depurado, assentando numa linha fina, sem pormenores desnecessários, mas mesmo assim muito expressiva, polivalente e polifacetada no retratar do ser humano e no trair das suas emoções, quer no desenho naturalista com que expõe montanhas, praias, bosques, movimentos e posições de gente e animais, quer na representação dos cenários urbanos, mais sóbria e concisa.

Bibliografia seleccionada

• “Kareta heya” (1970)
• “Lindo!3” (1978), argumento de Natsuo Sekikawa
• “Botchan no jidai” (1987-1996), argumento de Natsuo Sekikawa
• “Fuyu no dobutsen” (2008), Um Zoo no Inverno
• “Aruku hito” (1990); O Homem que Caminha, Correio da Manhã/Devir (2005); O homem que passeia, Devir (2017)
• “Inu o kau” (1991); Terra de Sonhos, Levoir (2016)
• “Hitobito Shirizu: Keyaki no ki” (1993), argumento de Ryuichiro Utsumi
• “Chichi no koyomi” (1994); O Diário do meu Pai, Levoir (2015)
• “Kodoku no gurume” (1994), argumento de Masayuki Kusumi
• “Icare” (1997), argumento de Mœbius
• “Haruka-na machi” (1998), Bairro distante
• “Kamigami no Itadaki” (2000), argumento de Baku Yumemakura
• “Ten no taka” (2001)
• “Hareyuku sora” (2004)
• “Maho no yama” (2005)
• “Mon année” (2009), argumento de Jean-David Morvan
• “Les Gardiens du Louvre” (2014)
• “Kodoku no gurume” (2014), O Gourmet Solitário

Prémio

1992: Prémio especial do júri Manga Shogakukan por Inu o Kau, Japão.
1993: Prémio de Excelência da Associação de Mangaká Japoneses por Botchan no jidai, Japão.
1998: Grande Prémio cultural Osamu Tezuka por Botchan no jidai.
2003: Alph’Art do Festival Internacional de BD de Angoulême para Melhor Argumento para Haruka-na Machi (Bairro distante).
2005: Alph’Art para Melhor Desenho no Festival Internacional de BD de Angoulême para Kamigami no itadaki (O Cume dos Deuses).
2011: Agraciado como Chevalier de L’Ordre des Arts et des Lettres, pelo governo francês.

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